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Rui Vitória: A Vantagem da Confiança!

Rui Vitória vs. Jorge Jesus: diferentes estilos de comunicação e interacção com os jogadores!

Rui Vitória: A Vantagem da Confiança!


Desde que Jorge Jesus se mudou para o grande rival do Benfica e foi substituído no banco encarnado por Rui Vitória que a comparação do trabalho dos dois a todos os níveis tem sido tema incontornável e inevitável. Um dos aspectos sobre os quais se faz o debate da performance de ambos os treinadores é o rendimento que cada um consegue extrair dos seus jogadores. E a este nível, há uma característica que diferencia claramente os dois treinadores:  a confiança que passam aos jogadores, seja directa ou indirectamente! Parte da diferenciação de que aqui se fala está implícita não só no discurso dos treinadores antes e depois do jogo, mas também na forma de comunicar com os jogadores no decorrer das partidas, seja verbalmente ou através da “linguagem corporal” ao transmitir as indicações. Mas não só! O tempo de jogo que se concede aos jogadores em determinadas situações dá aos mesmos claros sinais da confiança dos seus treinadores nas suas capacidades e das suas esperanças de jogar a curto/médio prazo. Todas estas situações mexem inevitavelmente com o jogador, com a pressão que sente ao jogar e com a satisfação e motivação com que o jogador encara o seu trabalho diário nos treinos e no decorrer dos jogos. Em todos estes aspectos Jesus sai a perder, muito por causa de um pormenor fundamental: Jesus só “vê” alguns jogadores, ao contrário de Vitória que olha a todos sem distinção!

Mas passemos a factos e a alguns exemplos! No decorrer das várias épocas que Jesus esteve no banco do Benfica, quantas vezes o vimos adaptar jogadores a determinadas posições quando tinha os seus titulares e preferidos indisponíveis, ao invés de dar tempo de jogo a jogadores rotinados na posição mas com poucas oportunidades até então ou até mesmo a jovens da formação com reconhecido potencial de crescimento? Quase sempre! Por isso vimos adaptações de médios defensivos a defesa central e vice-versa, trocas constantes nas laterais e tantas outras “invenções”. Naturalmente que esta situação não passa confiança ao jogador que fica de fora… Por isso saíram do clube praticamente sem envergar a camisola jogadores de grande valor como Bernardo Silva e João Cancelo, mas também jogadores mais experientes e rotinados como Nolito ou Rodrigo Mora. Do mesmo modo, nas poucas/raras vezes que vimos Jesus apostar em jogadores da formação/equipa B encarnada ou até mesmo em jogadores jovens recém contratados constatou-se sempre da parte do treinador uma forma agressiva de comunicar com o jogador, muitas vezes em forma de reprimenda pública no decorrer dos jogos, fazendo com que um jogador já de si ansioso para “fazer bem” sinta uma pressão exponenciada e tenha a tendência para ficar mais nervoso e com tendência a errar! Mais casos haveria a relatar…

Em todos estes aspectos Rui Vitória é o oposto de Jorge Jesus. Já o tinha demonstrado em Guimarães, em épocas difíceis para aquele clube nortenho por falta de recursos financeiros. Nesses tempos, Vitória foi obrigado a apostar em muita “prata da casa” e em jogadores oriundos de escalões inferiores, tendo conseguido sempre bons resultados e classificações, com o expoente máximo a ser a conquista de uma Taça de Portugal para os vimaranenses, precisamente numa final contra o Benfica de Jesus. Já no Benfica, temos os exemplos na época passada dos lançamentos de Nelson Semedo e Renato Sanches na equipa principal, jovens que até então não tinham sequer 1 minuto com a equipa principal. Há ainda os casos de Victor Lindelof, inexistente para Jesus, e de Lisandro López, também ele descartado por Jesus para empréstimo em Espanha onde se exibiu em muito bom nível. Ambos os jogadores foram lançados por Vitória no onze do Benfica após a lesão de companheiros do sector e em fases complicadas da época sem nenhum deles ter praticamente qualquer utilização até à data. Ao lançar estes jogadores ao invés de promover adaptações, Vitória ganhou a sua confiança e fez crescer a sua motivação e de outros no plantel em situação semelhante pois tiveram a percepção de que contavam para o seu treinador e de que teriam as suas oportunidades para mostrar valor. Também aos mais jovens da formação foi dado o sinal de que o seu trabalho e mérito seriam recompensados. E em termos de comunicação? Parece-me óbvio que a forma serena e discreta como Rui Vitória comunica com os jogadores será para os mesmos um sinal acrescido de confiança, muito ao contrário do “berro e espalhafato” público que muitas vezes vimos/vemos em Jesus e que por vezes roça a humilhação para o jogador.

Para finalizar, deixo aquele que é, para mim, talvez o melhor exemplo desta dicotomia de treinadores, no caso particular daquele que é, provavelmente, nos dias que correm o melhor jogador da Liga Portuguesa: Pizzi!

Pizzi foi lançado por Jesus na posição 8, Pizzi nunca conseguiu convencer treinador, adeptos e críticos a jogar naquela ou até noutras posições, tendo sido até publicamente criticado por Jesus pelas suas fracas prestações defensivas. Pizzi era nesta altura visto como um jogador mediano do plantel e “mais um” para jogar ocasionalmente. Ao invés, Rui Vitória iniciou a reabilitação deste jogador na época passada, tendo o mesmo feito uma época em crescendo e tendo acabado por se afirmar como um dos jogadores importantes do plantel na conquista do “tri”. Já nesta época, Pizzi tem-se afirmado de forma categórica e incontestável no onze do Benfica, seja encostado à linha do lado direito ou na posição 8 (desde a lesão de André Horta), com algumas exibições de encher olho, golos e assistências. O que mudou para o jogador? Sem qualquer dúvida… a confiança que lhe foi/é passada pelo seu actual treinador. E para atestar o que foi escrito, nada melhor do que as palavras do próprio jogador a um diário desportivo já no decorrer desta semana: “Com Rui Vitória todos nos sentimos úteis”. Os resultados estão à vista!

 

Texto por Filipe Mendonça


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