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Benfica escorrega com surpresa

No melhor pano cai a nódoa

Benfica escorrega com surpresa


Durante quatro dias circulou nas redes sociais, nos grupos do whatsapp, nas mesas dos almoços com colegas, por todo o lado, que para ver bom futebol entre duas equipas em Portugal bastava ver um treino no Seixal. Portanto, os titulares contra os suplentes do Benfica. 

Em boa verdade o Benfica vinha de uma série de bons resultados, com consistência, e acima de tudo, com uma excelente exibição em Guimarães para a Taça da Liga onde apresentou uma equipa maioritariamente de alternativas ao principal onze.

Mas o significado dessa vitória foi maior que o próprio resultado. Rui Vitória fez alinhar um 4-4-2 sem Mitroglou ou Jimenez, o que significava uma maior dinâmica na frente de ataque que a habitual.

Não há jogos iguais, nem mesmo com as mesmas equipas, mas compreensivelmente Rui Vitória alinha a estratégia para receber o Boavista com a mesma perspetiva tática: entregar a Rafa (inicialmente mais descaído pela esquerda), Sálvio (pela direita), Jonas e Guedes, toda a movimentação do ataque do tricampeão, tendo em vista a desconstrução do tão aguardado “autocarro estacionado”.

O Benfica entrou no jogo de forma lenta e denunciada, e essencialmente sem intensidade, de maneira que passados os primeiros dez minutos de jogo contava apenas com um remate desenquadrado, e o Boavista com 84% dos duelos ganhos.

Foi nesta fase do jogo que se notou que esta não seria a tarde de Pizzi. O jogador mais influente do Benfica na primeira volta havia errado três dos seis passes efetuados.

Por outro lado, o Boavista mostra uma eficácia tremenda, aos vinte e cinco minutos ficava a ganhar por três, tendo efetuado três remates à baliza.

Rui Vitória tinha que reagir. Escolheu Rafa para recolher aos balneários, e lançou Mitroglou. Tarde na minha opinião, passo a explicar mais à frente.

O grego reduz antes do intervalo, e o resultado passa a ser mais esperançoso para as hostes benfiquistas.

Para a segunda parte lança Cervi e deixa de fora Luisão. Passa o Benfica a um esquema tático idêntico, mas com nuances que determinaram o desfecho do jogo. Passa André Almeida para central, e Franco Cervi fica com ordem para atacar a partir da posição de defesa esquerdo.

Benfica - Boavista janeiro 2017
Foto de adepto antes do início do jogo Benfica - Boavista a 14/01/2017

No meio campo tudo igual na composição, tudo diferente nas responsabilidades: Samaris tem de compensar ora à direita, ora à esquerda, as subidas dos laterais, e tem de se juntar aos centrais como ‘pivot’ nas saídas de bola a três; Pizzi tem de jogar mais de trás para a frente, e rodar mais rapidamente a bola de um flanco ao outro, num momento em que o Boavista fechava-se cada vez mais.

O Benfica reduz por penalti por Jonas, e num autogolo após um cruzamento na esquerda de Zivkovic, ele que substituiu o lesionado Gonçalo Guedes. Resultado a 3-3 aos 66 minutos de jogo. 

Com cerca de 20 minutos para o final da partida, tudo indicava que a equipa líder do campeonato poderia chegar à vitória, mas foi Ederson que aos oitenta minutos protagoniza uma grande defesa, isto numa fase em que o Benfica somava apenas três remates na segunda parte (contra os dezoito da primeira parte).

Faltou força, discernimento, e acima de tudo oxigénio a Jonas e sorte a Pizzi. A partir do meio da segunda parte, após a substituição de Gonçalo Guedes, o ‘pistoleiro’ quebrou fisicamente, deixou de jogar de trás para a frente, deixou de estar tão disponível para aparecer no espaço vazio e tocar. Por outro lado, não houve o habitual Pizzi - ele que tocou 136 vezes na bola (bateu o record que já era seu) - e acima de tudo a sorte não esteve com o médio português. Ele que esteve perto do golo duas vezes.

Rui Vitória mexeu tarde na primeira parte. A perder 3-0, não havia muito por onde não arriscar, e confiar na capacidade física de Jonas após lesão, e de Samaris com poucos 90 minutos nas pernas, não foram boas jogadas. Mas as mexidas foram as corretas. O timing é que não.

Nota negativa para a equipa de arbitragem chefiada por Luís Ferreira. Existe uma falta sobre Rafa precedente ao livre direto no primeiro golo do Boavista. No segundo golo, o braço do central Lucas não deixa André Almeida saltar (mesmo que não chegasse à bola, impediria o adversário de cabecear à vontade). Por fim, existe fora de jogo de Schembri no terceiro golo do Boavista, uma vez que jogador de Malta faz-se à bola no momento do cruzamento de Iuri Medeiros.

Benfica quebra assim uma séria de ótimos resultados, mas tem já a meio da semana um jogo a contar para a Taça de Portugal contra o Leixões, onde pode retomar a senda das vitórias.

 

Texto por Daniel Moura


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