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"Defesa a três": uma tendência para os próximos anos?

Breve análise aos sistemas tácticos na europa

"Defesa a três": uma tendência para os próximos anos?

No campeonato Português predominam, desde os anos 90, dois sistemas tácticos: 4-3-3 e 4-4-2. Durante alguns anos o 4-3-3 foi praticamente consensual com uma ou outra excepção (e.g. o Porto de Adriaanse). Com a chegada de Jorge Jesus ao Benfica, o 4-4-2 ganhou novo ânimo e neste momento é usado pelas três principais equipas. Se no resto da Europa se pode dizer que a tendência foi a mesma por muitos anos, assiste-se nos últimos anos a um regresso à utilização de sistemas com três defesas. Digo regresso porque já foi historicamente utilizado (e com que sucesso!) por equipas como o Ajax ou a Holanda de Rinus Michels, o Barcelona ou a Holanda de Cruyff, bem como pela selecção Alemã de Beckembauer.

A primeira reaparição mediática terá sido com Guardiola, ainda no Barcelona, que por diversas vezes optou por um 3-4-3 em detrimento do habitual 4-3-3. Depois disso, Conte será talvez o mais fervoroso adepto deste sistema de três defesas. Na Juventus foi sempre campeão com alguma facilidade e seguiu para a selecção Italiana com uma participação brilhante no Euro 2016 onde eliminou a Espanha e caiu apenas aos pés da Alemanha campeã do Mundo. Agora no Chelsea passeia os seus três defesas na Premier League a 10 pontos do segundo classificado. Guardiola, depois do Barcelona, continuou a utilizar os 3 defesas com alguma frequência quer no Bayern quer agora no City. Em Inglaterra tem sido mais difícil a aposta neste sistema muito por culpa da limitada cultura táctica dos Ingleses (os jogadores, mas sobretudo os adeptos). O "contágio" de Guardiola na selecção Alemã foi demais evidente e está documentado, tanto assim foi que a equipa de Low utilizou diversas vezes 3 defesas, coisa que não se via desde o início dos anos 90.

Foi no entanto durante esta época que me dei conta desta potencial revolução. Começou com o Dortmund de Tuchel e o seu futebol fantástico (assombrado por ondas infindáveis de lesões), passou por Conte e Guardiola (com pequenas experiências) conforme já referi e está agora a chegar ao United de Mourinho ou ao Tottenham de Pochettino.


Há no entanto muitas formas de jogar com os 3 centrais e têm sido utilizados com diversos objectivos. Uma das formas que tem sido utilizado é para formar uma linha de 5 defesas e tem como objectivo aumentar o número de jogadores atrás da linha da bola, normalmente obrigando a baixar as linhas no momento defensivo. Foi neste sentido e usando um jogo directo que Mourinho montou a sua equipa no último jogo da Europa League. No entanto não creio que seja essa a intenção de todos os outros treinadores que referi.

Na minha opinião todos os outros treinadores o fazem porque parece facilitar o jogo ofensivo e de posse que estes treinadores defendem. Os 3 defesas são óptimos para desenvolver a saída a 3 que neste caso não obrigam um dos médios a recuar e preencher a posição mais central do trio. Depois, a liberdade de que gozam os alas (ou laterais) que têm sempre 3 jogadores atrás em caso de perda. A largura passa a ser sempre assegurada pelos alas, sobretudo em 3-5-2. Em situações de 3-4-3 normalmente os extremos jogam por dentro (e.g. Dembele e Pulisic no Dortmund) formando um meio campo a 4 com múltiplas soluções para jogar por dentro ou por fora com o apoio dos alas.

Se na Europa começa a parecer uma tendência este tipo de sistemas, em Portugal ainda não se vislumbra qualquer tentativa nesse sentido. Será que esta tendência vai continuar? Vamos ver alguém em Portugal a tentar esta forma de jogar? Este ano Jesus, curiosamente no jogo contra o Borussia Dortmund, já testou o Sporting com 3 defesas e não se pode dizer que correu mal (derrota por 1-0 na Alemanha). Teremos novamente Jesus a inovar em Portugal?


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