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Rescaldo do SL Benfica - FC Porto

Breve análise ao "clássico".

Rescaldo do SL Benfica - FC Porto

O jogo decisivo passou e continua tudo na mesma na primeira liga Portuguesa. A vantagem de um ponto do SL Benfica mantém-se por mais uma semana e a luta, parece-me, vai ser até à última jornada. O jogo teve duas partes claramente distintas, na primeira imperou o equilíbrio que vaticinei e na segunda o domínio do SL Benfica foi evidente. A vantagem de jogar em casa foi uma vez mais decisiva e isso deve-se na minha opinião à forma pouco corajosa como o treinador do FC Porto abordou o jogo.

Se olharmos para os "onzes" que as duas equipas apresentaram neste jogo facilmente chegamos à conclusão que Nuno Espírito Santo estava essencialmente interessado em não perder o jogo. Se houvesse dúvidas, os festejos dos jogadores do FC Porto após o empate (e a fraca exibição) depressa as dissipariam.

É verdade que o sistema vale o que vale e que o mais importante são as dinâmicas que compõem o modelo, mas esta alteração dificilmente pode ter passado uma ideia diferente desta aos jogadores.Ao alinhar num 4-3-3 clássico o treinador do FC Porto cedo explicou a toda a gente que vinha com demasiado "respeito" pelo adversário. O FC Porto tem jogado sistematicamente em 4-4-2, com André Silva e Soares (ou Diogo Jota na primeira fase da época) e chega ao jogo mais importante da temporada numa postura submissa, defensiva e de equipa pequena.

Os primeiros 15 minutos do jogo espelharam aquilo que Nuno queria e que os jogadores entenderam após a escolha do onze inicial. Um Benfica dominante, pressionante, com mais bola, a criar uma situação de perigo e 1-0. Nada a acrescentar...

O Benfica foi igual a si próprio, poucas ideias com bola que não sejam a utilização dos laterais (sobretudo Semedo) em profundidade e os rasgos individuais dos extremos. No entanto ninguém pode dizer que o Benfica não entrou no jogo para ganhar. Depois disto e até ao intervalo o jogo foi mais equilibrado, com o Benfica a deixar de ser capaz de pressionar e ganhar a bola em zonas mais altas e o FC Porto, sempre por Brahimi, a conseguir soltar-se com bola a espaços e sempre em contra-ataque. Um ou outro remate de parte a parte (uma boa oportunidade de Luisão, de cabeça, na pequena área) e termina a primeira parte.

Na segunda parte, o FC Porto entra com a mesma estrutura mas com uma nova atitude. Pressionante, a ganhar os duelos individuais e com Brahimi, sempre ele, a ter mais bola e a criar cada vez mais problemas. Golo do FC Porto, após uma série de ressaltos e de alívios mal efectuados. Depois do golo (aos cinco minutos!) voltou tudo à estaca zero. FC Porto a baixar o bloco o mais possível, SL Benfica sempre com bola em zonas mais avançadas e a criar oportunidades de golo (duas flagrantes, com excelentes defesas de Casillas). O FC Porto nessa fase conseguiu dois passes longos a explorar a profundidade, num deles Soares ultrapassa Nélson Semedo e fica na cara de Éderson, que sai em velocidade e recupera a bola. Isto foi o melhor que a equipa de Nuno conseguiu na fase a seguir ao golo do empate.

Faltam sete jogos para terminar o campeonato e é mais ou menos consensual que os jogos que faltam disputar ao FC Porto são teoricamente mais fáceis do que os do SL Benfica. O Benfica tem as difíceis deslocações ao Sporting, ao Rio Ave e ao Boavista e ainda o jogo em casa com o Vitória de Guimarães. O FC Porto tem as deslocações a Braga, a Chaves e ao Marítimo. Vamos ter campeonato até ao último segunda e a minha previsão é que ambas as equipas vão perder pontos nesta fase. Será que um ponto é vantagem suficiente para o SL Benfica chegar ao tetra? Muito difícil de prever, nesta fase.

Texto por Telmo Frias


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