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Rui Vitória já não é treinador do SL Benfica

A luz de Vieira apagou-se, era uma questão de tempo

Rui Vitória já não é treinador do SL Benfica

Desde o último episódio da novela "sai não sai" em que Luís Filipe Vieira veio a público dizer que tinha sido ele, contra toda a opinião da direcção, a dar um voto de confiança em Rui Vitória que se sabia que era uma questão de tempo até o treinador do Benfica sair. O ambiente nas bancadas piorava todos os dias, as exibições continuavam a desgraça dos últimos meses, e uma derrota parecia suficiente para fazer abanar toda a estrutura novamente. E o jogo de Portimão veio acabar com esta história com fim anunciado.

Nunca fui fã de Vitória, desde o dia em que li a notícia de que seria o próximo treinador do Benfica. E nunca fui fã porque sempre que analisei um jogo com algum detalhe percebi que os problemas colectivos eram muitos e nunca notei qualquer melhoria passado algum tempo.

Neste espaço onde escrevo fiz diversas análises ao comportamento da equipa - e fui muitas vezes criticado por isso - sobretudo nas fases em que a equipa ganhava. Quando os resultados não aparecem, é fácil criticar e dizer que é o treinador, sem acrescentar nada que o possa justificar para além do resultado. Nunca foi essa a minha postura, critiquei sempre quando o Benfica ganhava e apresentei sempre justificações para tal. Hoje vou fazer mais um desses pequenos exercícios de olhar um pouco para lá do resultado.

Os problemas ofensivos da equipa vinham sendo notados por todos há algum tempo: poucas oportunidades criadas, alguma falta de eficácia, mas sobretudo a noção clara de que tudo o que era criado se devia à qualidade individual dos jogadores e cada vez menos devido à qualidade colectiva das movimentações da equipa. O jogo em Portimão, juntou a esses problemas graves problemas defensivos em termos colectivos (já aqui detalhados várias vezes) e erros individuais que colocaram à mostra todas as fragilidades de uma ideia de jogo pobre e cada vez menos agradável à vista.

A organização da linha defensiva do Benfica sempre foi dos principais problemas que apontei ao modelo de jogo de Rui Vitória. Enquanto Luisão teve capacidade para aguentar fisicamente as necessidades do jogo, estes problemas foram sendo escondidos pela qualidade individual e pelas ideias que foram ficando do modelo anterior. Depois da saída do capitão as dificuldades foram ficando cada vez maiores. O controlo de cruzamentos neste jogo foi péssimo e que fica um exemplo disso. Centrais demasiado chegados ao centro de jogo, mesmo com Fejsa a controlar a cobertura dessa zona e demasiado espaço entre ambos que facilita a entrada de Jackson no espaço.

Outro problema que apareceu após a saída de Ederson que é de top mundial e escondia as fragilidades defensivas do Benfica como poucos, foi a falta de capacidade para controlar o espaço nas costas da defesa. Varela nunca foi capaz de perceber que comportamentos deve adoptar quando a bola está descoberta e pode haver passe nas costas e Odisseas, apesar de parecer perceber melhor estes momentos, parece que demora sempre muito tempo a chegar à bola. Penso que isso se deve ao posicionamento conservador que adopta normalmente e isso põe em risco toda a estrutura. Este comportamento é colectivo e depende do trabalho diário de coordenação com a linha defensiva, que me parece fraco ou inexistente. Este é um exemplo claro disso e resultou no 2-0 para os algarvios (com o erro individual de Jardel, claro).

Fica aqui bem demonstrada a falta de qualidade colectiva que a equipa de Rui Vitória tem desde que este chegou ao clube. Só não dá em golo mais vezes porque os intervenientes são de altíssima qualidade e os adversários são, normalmente, de qualidade mediana.

Para o resto da época a minha opinião é que deve ser dada a oportunidade a Bruno Lage - que vem fazendo um trabalho brilhante na equipa B - para assumir a equipa em definitivo e no final da época fazer um balanço. Entretanto têm alguns meses para trabalhar num plano a médio prazo e definir o que pretendem para a equipa principal - que forma de jogar, que integração com a academia, que estilo de comunicação - e a partir daí definir o perfil necessário. A minha escolha vai para Vitor Pereira, caso Bruno Lage não mostre ainda capacidade para continuar no comando na próxima época.


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