Onde dá a Bola?

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Futebol distrital

Que futuro para o futebol distrital?

Futebol distrital

O futebol distrital, tal como o país, mudou nestes últimos dez anos. Mais estrangeiros, mais investimento estrangeiro, menos jovens da “casa”, a chegar à equipa sénior.

E isso é positivo ou negativo? Pois, essa é que é a grande questão, que ainda ninguém quis, ou quer discutir e refletir seriamente. Ora vejamos, hoje em dia, nos chamados distritais, para muitos o verdadeiro futebol, aquele da paixão, da entrega, o de treinar após 8 horas de trabalho, o jogar ao domingo, deixando a família e os amigos, correndo o risco de se poder lesionar, e não ir na segunda feira, para a sua verdadeira profissão, onde ganha o “pão” para si e para a sua família.

Mas será que ainda é mesmo assim hoje em dia? Hoje temos treinadores, preparadores físicos, todos com formação, onde mesmo na distrital, tentam ser o mais profissional possível, quer ao nível de trabalho, e método de treino, e na preparação do dia e do jogo. Assistimos a jogadores, com muito mais cultura tática, e desportiva. Assim sendo, teríamos muito melhores jogos, e espetáculos desportivos nos campos dessas cidades, vilas e aldeias de Portugal. E assistimos a tudo isso, que é o lado positivo da evolução do futebol distrital.


Video do programa da RTP "Liga dos últimos", onde o futebol distrital tem grande destaque

O problema, que ninguém quer falar, e que não vejo forma de voltar atrás, é o querer profissionalizar clubes, e estruturas, que nunca poderão deixar de ser amadoras. E isto aconteceu, principalmente por 2 motivos. O primeiro, foram os erros dos clubes amadores,
viverem muitos anos acima das suas capacidades, ficando desta forma endividados, e fazendo passar a “mensagem”, que no distrital se poderia viver apenas da “bola”, com ordenados perfeitamente loucos, mas que a irresponsabilidade, e a “cegueira”, dos dirigentes fazia com que fosse possível, atrás de uma subida aos nacionais, que era uma perfeita ilusão, e para muitos clubes, o principio do fim. Com este cenário, aparecem um novo fenómeno no mundo da distrital, os empresários. Compram clubes, colocando jogadores, todos eles estrangeiros, muitas vezes com uma qualidade muito duvidosa, fazem os clubes dependerem em absoluto, desse investimento, dando muito pouco, ou nenhum espaço, ao miúdo que jogou no clube desde dos infantis, ou iniciados. Se o investimento correu bem, tudo é maravilhas, se por acaso aquilo não está a render, vamos embora para outra “vitima”. E depois é ver campos, e clubes ao abandono, muito deles cheios de dividas, e sem ninguém a querer pegar nesses mesmos clubes.

É necessário que volte o amadorismo, a paixão pelo treino, o trabalhar 8/10 horas por dia, muitas vezes a “acelerar”, para estar  despachado para não falhar no treino, ao domingo acordar, com a ansia normal do almoço da equipa( a tal febra, ou frango, com arroz ou massa, e a famosa canjinha), que voltem os “Zé Maneis”, que tratam dos equipamentos, que enchem as bolas, que tratam do almoço, que levam as carrinhas para os jogos, e que a malta volte a jogar à bola na terra, pelo puro prazer do jogo, e do orgulho de representar a terra.

Pedro Mendes


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