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Bitcoin no futebol e no futuro?

Análise do sistema monetário e Bitcoin

Bitcoin no futebol e no futuro?


Atualmente o Watford FC tem o símbolo do Bitcoin (₿) nas camisolas da sua equipa de futebol.
Esta equipa da 1ª Liga de Inglaterra, anunciou uma parceria de 3 anos com um website de apostas online sportsbet.io, que inclui publicidade à criptomoeda nas camisolas dos jogadores da equipa.

Esta campanha, cujo mote é o Bitcoin (criado em 2008), tem como objetivo aumentar o conhecimento do público sobre esta moeda inovadora e educar para os benefícios da utilização de criptomoedas. Para além deste objectivo, junta-se o facto do site de apostas aqui referido, ter clientes que já utilizam esta nova moeda para fazerem as suas apostas. Acaba por ser uma forma de retribuição, ao dar-se destaque à criptomoeda através deste patrocínio, que também tem a componente de crowd-fund.

Aproveita-se o tema do artigo para explicar o que é o Bitcoin e as criptomoedas, bem como expor opinião sobre o funcionamento do sistema monetário atual, de acordo com o ponto de vista do autor.

O Bitcoin é uma moeda virtual universal disponível para todos e não controlada por qualquer governo ou banco central.

Os sistemas monetários atuais são controlado pelos Estados e Bancos (Centrais e Comerciais), o que significa que existe um monopólio ou oligopólio na criação do dinheiro. Contudo, um dia, este monopólio poderá ser eliminado, e passarão a existir várias formas de dinheiro: dinheiro do governo, dinheiro da Internet/povo e dinheiro de empresas.

Tomem como exemplo o que aconteceu com a separação do Estado da Igreja, ou com a passagem de monarquia para democracia. Estamos a falar de um evento de comparável ou maior relevância, a acontecer em espaço temporal de gerações.

Já se questionou como é criado e distribuído o dinheiro? Infelizmente não é ensinado na escola... Mas devia! Talvez não haja interesse em que as pessoas compreendam como funciona este sistema, ou se caia na falácia que é demasiado complicado. Além disso, existem várias teorias económicas sobre a criação do dinheiro. O que nos leva à questão: Como é possível não haver consenso científico sobre um tema tão importante e real na sociedade?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a maior parte do dinheiro é criado pelos bancos comerciais quando fazem empréstimos (principalmente habitação), e não há uma transferência da conta A do banco para a conta B do cliente, mas sim um número inserido no saldo da conta de quem pede o crédito, associado a uma nova dívida. Esta situação acontece com poucas diferenças ao nível dos países ocidentais, variando principalmente o nível de reservas obrigatórias por parte dos Bancos, normalmente não ultrapassando 10% do dinheiro criado. Este dinheiro criado é depois eliminado quando é pago o empréstimo.

Assim, a grande parte do dinheiro é criado com base em divida, que está sempre a aumentar globalmente e pressupõe um crescimento continuo que não é sustentável.

Apenas 3% do dinheiro existe em forma física (notas e moedas), o resto é digital e está confinado nos bancos.

Na última grande crise de 2008, existiu excesso de expansão de dinheiro com empréstimos abusivos, provavelmente má gestão, desresponsabilização e corrupção, em que os contribuintes acabaram por suportar os custos com os resgates dos bancos. Esta situação tem sido muito contestada, com razão, porque se os os lucro são privatizados, os prejuízos não podem ser socializados.  Ainda assim, infelizmente, a sociedade está refém dos bancos. Se eles falirem, as pessoas podem ficar sem o seu dinheiro (com exceção da garantia bancária). A alternativa de levantar previamente o dinheiro em forma física também não é prática nem talvez possível.

Nos últimos anos a regulação também foi mais apertada para não haver abusos, no entanto parece que se tapa de um lado e há problema do outro. Este funcionamento pode variar por geografias mas em geral é idêntico.

Desde do final do padrão do Ouro nos anos 70 que o dólar não está assegurado pelo respetivo valor em ouro físico, tal como as restantes moedas fiat como o Euro. A segurança da moeda tem por base a confiança das pessoas no governo que as controla. O problema é que assim a moeda (paper money) tem grandes hipóteses de ser criada de forma abusiva, consoante vontades políticas ou descontrolo dos bancos e pessoas que pedem empréstimos, e pode haver corrupção na distribuição da nova moeda. Os bancos centrais cada vez mais avançam com planos de quantitative easing em que são criados triliões de dollars que depois serão multiplicados n vezes em empréstimos nos bancos, desencadeando o risco de hiperinflação (se não houver bom balanço com a deflação dos tempos de crise).

Quando se fala nos apoios do banco central e do governo, que ocorrem durante esta crise do Coronavirus, de onde acha que vem este dinheiro? Na verdade o dinheiro é criado do nada, é inserido um número grande num computador. Provavelmente uma nova crise iria ocorrer em breve, mas o contexto da pandemia foi a agulha que rebentou a bolha económica.

A economia será alavancada por aqueles que vão arriscar a contrair dividas, e parte deles serão dizimados no futuro, num ciclo corrente de sobe e desce na economia, este video de Ray Dalio explica bem como funciona a economia e estes ciclos.

Neste cenário de inflação contínua e histórica das moedas “fiat” que explica porque uma casa custa 20x mais passados poucas décadas, as moedas que forem mais raras vão ter tendência a aumentar em valor, se a procura se mantiver ou aumentar, tal como o ouro em relação ao euro por exemplo. Além disso, historicamente as moedas de governos não duram mais de 100 anos, com algumas exceções.

Finalmente surge uma alternativa, as cryptocurrencies permitem libertar dos bancos, é o dinheiro da Internet, que circula facilmente tal como a informação, as imagens e os vídeos, mas não permite “copy and paste”.

Podemos estar a alguns anos ou a décadas de isto acontecer mas é para lá que o futuro aponta, as tecnologias de informação estão a entrar em força em todas as áreas, e o dinheiro não deverá ser exceção, mas só o futuro o dirá.

O Bitcoin é escasso como o Ouro, tendo um limite de unidades que nunca será ultrapassado, a sua segurança é garantida através de criptografia de nível militar, sendo um sistema de contabilidade imutável e não corrompível, assegurado através da distribuição da sua base de dados de forma consensual, numa rede de milhares de computadores distribuídos por todo o mundo. Atualmente o Bitcoin tem alguns problemas como a volatilidade alta, volume transacional baixo e centralização de “mineração”. É um sistema que precisa de mais responsabilidade por parte do utilizador mas também lhe dá mais liberdade. A taxa de inflação de moeda Bitcoin vai sendo reduzida ao longo do tempo, este mês teve corte de inflação para metade.

Além do Bitcoin existem outras cryptocurrencies legitimas com diferentes características e funcionalidades inovadoras, como o Bitcoin Cash, Ethereum, EOS, Litecoin, XRP, Tether, BAT, etc. Também existem muitas moedas virtuais que são fraudes!

O site de referência com o catalogo das moedas virtuais é o coinmarketcap.com.

O Bitcoin assenta mais numa teoria económica “Austrian Economics” de mercado livre, ao contrário do sistema monetário atual assente em “Keynesian Economics”, com um mercado controlado e centralizado, apesar do mito do Capitalismo atual, mas no fundo é muito mais autoritário/centralizado do que se pensa. Talvez tenha encaixado melhor ao poder político. Por um lado a teoria mais usada permite um crescimento maior mas também muito assente na divida das gerações futuras além dos outros problemas referidos.

Pergunta comum: Então mas o Bitcoin é utilizado pelos ladrões?

Resposta: Também. É normal as tecnologias inovadoras serem utilizadas por ladrões, pois dão algumas vantagens, no entanto seria um grande erro abdicar das grandes vantagens desta tecnologia para toda a população! Tal como um ladrão foge mais rápido de carro do que a cavalo, não se vai proibir que todos os carros circulem, certo?

Se vai comprar moedas virtuais informe-se melhor e veja sites de confiança como os dos links deste artigo e perca algum tempo a conhecer este assunto interessante. Alguns exchanges famosos para obter moedas virtuais: Coinbase, Kraken, Bitstamp, Binance. Ao deixar as moedas nos exchanges é como deixar no banco (mas com menos garantia, ver nota do Banco de Portugal), no entanto pode depois passar para carteiras privadas e ter o controlo total, nunca sujeitado a por exemplo um limite diário de levantamento nos bancos como já aconteceu na Grécia em 2008.

Além de existirem muitos fãs das criptomoedas, também temos vários críticos deste tema, como por exemplo o Nouriel Roubini que diz que é só especulação e manipulação de mercado, e o Peter Schiff que é grande fã do ouro e diz que o Bitcoin vai perder todo o valor. No entanto, pouco a pouco, vão aparecendo cada vez mais gestores de grandes fundos a anunciar que estão a investir em Bitcoin, como o exemplo do Paul Tudor.

Ninguém pode garantir que seja um bom investimento nem isto é um conselho financeiro, faça a sua investigação e decida por si, mas nunca invista dinheiro que não pode perder ou que seja emprestado. Talvez faça sentido aplicar 1 a 10% da poupança, dependendo do risco que cada um está disposto a correr, afinal poderemos estar a falar do dinheiro do futuro, baseado na tecnologia blockchain.

Este texto não é conselho financeiro, “not finantial advice”, é um artigo de opinião.

Nota: se pretender fazer um doação em Bitcoin para ajudar, tem os detalhes aqui.

Texto por Carlos F.

 

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