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O fora-de-jogo dos três metros: devolver o futebol ao jogo

Com um VAR mais justo: fora-de-jogo dos três metros

O fora-de-jogo dos três metros: devolver o futebol ao jogo

A regra do fora-de-jogo foi criada para impedir a batota evidente, não para transformar o futebol num exercício geométrico. No entanto, a sua aplicação afastou-se desse objetivo. Hoje, muitas jogadas são avaliadas com base numa linha imaginária e num instante técnico que pouco dizem sobre a vantagem real em campo. O resultado é um jogo mais fragmentado, mais tenso e excessivamente dependente da tecnologia.

A proposta do fora-de-jogo dos três metros estabelece que o atacante pode estar até três metros à frente do penúltimo defensor no momento do passe, sem que isso constitua infração. Só existe fora-de-jogo quando essa distância é ultrapassada. Não se elimina a regra; redefine-se o limiar da infração para que corresponda a uma vantagem desportiva efetiva. Continuariam a existir decisões por centímetros, mas agora dentro de um intervalo que faz sentido no jogo real.

Com a regra atual, o defesa não está verdadeiramente a defender o ataque: está a jogar contra uma linha geométrica que consegue antecipar visualmente no campo. Tenta provocar o fora-de-jogo com um passo calculado no instante do passe. Com a margem dos três metros, isso deixa de ser possível. O defesa não tem hipótese de saber, no momento do passe, se o atacante está a 2,90 m ou a 3,10 m. Perde a capacidade de explorar o cálculo e é obrigado a defender de forma natural: acompanhar desmarcações, antecipar movimentos, fechar espaços e ganhar duelos.

O ataque torna-se mais dinâmico, a defesa mais honesta, e o jogo volta a fluir em vez de congelar a cada decisão artificial. A aplicação técnica é simples e económica: jogadores com emissores de posição (GPS ou UWB), bola com registo do instante do toque e software que cruza dados em tempo real. O sistema só assinala fora-de-jogo quando a vantagem espacial ultrapassa claramente os três metros. O futebol regressa assim ao essencial: movimento, leitura, risco e continuidade.

Artigo de opinião por:

Diogo Sousa


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