OndeBola - Onde dá a Bola?

Artigo de Opinião

Quer escrever artigos? Contacte-nos aqui!

11 por equipa: tradição ou excesso?

Deve o futebol moderno continuar com 11 jogadores ou evoluir para 10 por equipa?

11 por equipa: tradição ou excesso?

O número de jogadores no futebol — 11 por equipa — ficou definido na segunda metade do século XIX, quando as primeiras regras foram formalizadas em Inglaterra. As Laws of the Game, codificadas em 1863, refletiam um futebol amador, jogado por estudantes e trabalhadores, com menor intensidade física, menor ocupação racional do espaço e praticamente sem preparação atlética.

Nesse contexto, 11 jogadores faziam sentido: o campo era grande, o ritmo era baixo e a organização tática era rudimentar. O jogo precisava de gente para “encher” o terreno. O problema é que o futebol evoluiu radicalmente, mas esse número ficou congelado no tempo, como se nada tivesse mudado em 160 anos.

O futebol moderno é jogado por atletas altamente preparados, com capacidade física, velocidade, resistência e leitura tática incomparáveis. Cada jogador cobre hoje muito mais espaço do que um jogador do século XIX. No entanto, o campo manteve dimensões semelhantes e o número de jogadores permaneceu o mesmo — o resultado é uma densidade excessiva.

Essa densidade traduz-se em algo cada vez mais visível: aglomerações constantes, linhas compactas, pouco espaço entre setores e jogos frequentemente “entaramelados”. Em muitos momentos, o futebol transforma-se numa sucessão de bloqueios, faltas táticas e passes laterais forçados, não por falta de talento, mas por excesso de ocupação.

Reduzir as equipas para 10 jogadores poderia ser uma resposta lógica a esta evolução. Menos um jogador por equipa significaria mais espaço efetivo, mais situações de 1x1, mais linhas de passe e maior valorização da criatividade individual. O jogo tornar-se-ia mais fluido, sem necessidade de alterar o campo ou as regras fundamentais.

O futebol já mudou bolas, substituições, VAR, fora de jogo e calendários. Questionar o número de jogadores não é heresia — é coerência histórica. Se o jogo mudou, talvez esteja na altura de admitir que uma regra criada para amadores do século XIX pode já não servir plenamente atletas do século XXI.

Artigo de opinião por:

Diogo Sousa


Reportar artigo?


<- Voltar