Cristiano Ronaldo já não tem espaço na Seleção?
Uma análise à evolução de Cristiano Ronaldo e ao desafio da renovação da Seleção Nacional
O Fim de um Ciclo na Seleção
O futebol de elite não perdoa o passar do tempo e Cristiano Ronaldo enfrenta hoje uma realidade inevitável. A sua permanência na Seleção Nacional tornou-se um obstáculo para a evolução da equipa, uma vez que o jogo internacional contemporâneo exige uma intensidade física asfixiante e uma dinamicidade coletiva com as quais o avançado já não consegue comprometer-se.
A nível físico, a perda de velocidade de ponta e de explosão no primeiro toque impede-o de ganhar duelos individuais em transição ou de explorar o espaço nas costas das defesas adversárias. Adicionalmente, a diminuição da sua resistência e capacidade cardiovascular impossibilita-o de manter um ritmo competitivo alto durante os 90 minutos de jogo.
O Impacto Tático Negativo
Do ponto de vista tático, Ronaldo já não apresenta a capacidade de pressão alta na primeira fase de construção do adversário, tornando-se um elemento passivo no momento defensivo e obrigando o bloco da equipa a recuar. Esta passividade sobrecarrega os médios e retira capacidade de recuperação de bola em zonas adiantadas do terreno.
Por fim, a menor agilidade e mobilidade na área reduzem a sua facilidade em desmarcar-se frente a defesas fechadas em blocos baixos, limitando o caudal ofensivo de uma seleção que precisa de um ataque móvel e fluido. Esta quebra de rendimento na seleção é o reflexo de um processo que começou a desenhar-se nos seus últimos anos ao mais alto nível europeu.

A Mutação no Real Madrid
No Real Madrid, os últimos anos de Ronaldo já sinalizavam a perda da capacidade de desequilibrar a partir da ala através do drible em velocidade. O jogador foi forçado a transformar-se num ponta-de-lança puro, posicionando-se mais perto da baliza e tornando-se altamente dependente do volume de jogo gerado pelos companheiros.
Esta mutação tática disfarçou o declínio físico graças a um meio-campo criativo excecional que jogava em função dele. No entanto, quando o coletivo espanhol não conseguia dominar o adversário, a menor participação de Ronaldo na manobra de construção da equipa começava a tornar-se evidente.
O Isolamento na Juventus
Na Juventus, a obsessão pelos números individuais começou a colidir diretamente com a identidade coletiva da equipa de Turim. O clube italiano, que antes se destacava pela solidez do bloco e pelo espírito operário, descaracterizou-se taticamente para conseguir servir a centralidade do avançado português.
Apesar dos golos marcados pelo craque, a equipa perdeu fulgor nas competições europeias e viu interrompido o seu longo domínio no campeonato italiano. Ficou demonstrado em Itália que Ronaldo já não tinha a capacidade de carregar sozinho uma estrutura de elite rumo aos grandes títulos.
A Rutura no Manchester United
O regresso ao Manchester United expôs de forma cruel a sua total incompatibilidade com as exigências de ritmo do futebol moderno. Numa liga de altíssima rotação e vertigem como a Premier League, a incapacidade do avançado em pressionar sem bola tornou-se um fardo pesado para o esquema do treinador.
Relegado para o banco de suplentes por razões puramente desportivas e de rendimento, o jogador acabou por forçar uma rutura inevitável com o clube. Essa saída conturbada provou que o seu estatuto já não correspondia àquilo que ele conseguia produzir e entregar dentro das quatro linhas.
A Necessidade de Renovação
Insistir na titularidade ou na convocatória de Cristiano Ronaldo para os compromissos internacionais significa prender a Seleção Nacional a um modelo de jogo ultrapassado. O desporto atual exige dinâmica coletiva, sacrifício defensivo de todos os setores e uma rotação constante que o avançado já não consegue oferecer.
Reconhecer que o seu tempo no topo do futebol mundial terminou é um passo doloroso, mas fundamental para o sucesso coletivo. Só assim Portugal poderá libertar o talento da sua nova geração e construir um futuro que seja verdadeiramente competitivo na rota dos títulos.
Artigo de opinião por:

Diogo Sousa
Nota de edição: Os textos de opinião são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a posição do diretor do site OndeBola, podendo até ser contrários às suas análises e opiniões.
deverá aparecer no ecrã principal do seu telemóvel como se fosse uma app. Passe a usar esse icon para abrir o site OndeBola.