OndeBola - Onde dá a Bola?

Artigo de Opinião

Quer escrever artigos? Contacte-nos aqui!

A FIFA e o poder: dos escândalos de corrupção à era Infantino

Como décadas de escândalos e disputas pelo poder colocaram a FIFA sob constante escrutínio

A FIFA e o poder: dos escândalos de corrupção à era Infantino

A FIFA (Federação Internacional de Futebol) é frequentemente descrita pela opinião pública como uma organização mafiosa. Longe de ser um mero exagero de adeptos, esta reputação assenta num historial de corrupção, subornos e escândalos financeiros que abalaram a credibilidade do desporto-rei. Fundada em 1904 como uma associação privada sem fins lucrativos na Suíça, a FIFA transformou-se num organismo que gere um negócio multimilionário com pouca ou nenhuma supervisão externa.

O SISTEMA DE VOTOS E O "FIFA GATE"

Durante décadas, o modelo de governação da FIFA foi considerado terreno fértil para a corrupção e outros crimes financeiros. Com o princípio de "um país, um voto", o voto de uma pequena ilha nas Caraíbas tinha o mesmo peso que o do Brasil ou da Alemanha. Presidentes históricos como João Havelange e Sepp Blatter criaram redes de clientelismo, distribuindo milhões de dólares em "fundos de desenvolvimento" a federações mais pequenas em troca de apoio político e votos.

O esquema ruiu em maio de 2015, no escândalo conhecido como "FIFA Gate". Numa operação do FBI, num hotel de luxo em Zurique, vários altos dirigentes foram detidos por suspeitas de fraude, branqueamento de capitais e associação criminosa. A investigação revelou alegados esquemas em que empresas de marketing desportivo pagavam subornos e comissões clandestinas (kickbacks) a dirigentes para garantirem direitos exclusivos de transmissão televisiva dos Mundiais a preços muito abaixo do valor de mercado.

A atribuição dos Campeonatos do Mundo tornou-se alvo de sucessivas investigações e suspeitas de corrupção. Os Mundiais da Alemanha (2006), África do Sul (2010), Rússia (2018) e, sobretudo, Catar (2022) enfrentaram investigações relacionadas com alegada compra de votos. No caso do Catar, mais de metade dos 22 dirigentes que participaram na votação vieram mais tarde a ser suspensos, banidos ou acusados de corrupção em processos distintos.

A ERA INFANTINO: DA PROMESSA DE LIMPEZA AO ESCÂNDALO CORPORATIVO

Em 2016, Gianni Infantino assumiu a liderança prometendo transparência e o combate à corrupção. No entanto, o seu mandato tem sido alvo de críticas por alegado favorecimento político e pela centralização do poder, gerando contestação por parte de algumas federações e dirigentes do futebol internacional.

As principais críticas dirigidas à atual liderança da FIFA incluem:

• A PRIVATIZAÇÃO DO FUTEBOL
Recentemente, Gianni Infantino tentou criar a FIFA Forward Enterprise, uma empresa subsidiária destinada a gerir os lucros comerciais das competições da FIFA. Segundo notícias divulgadas na imprensa, o plano previa a entrada de investidores privados mediante a cedência de uma participação nas receitas comerciais. A iniciativa gerou forte oposição por parte da UEFA e de algumas federações nacionais, que consideraram que colocava em risco a independência da organização.

• FAVORES POLÍTICOS E DITADURAS
Infantino tem sido criticado por alegadamente abandonar a tradicional neutralidade política da FIFA. Entre os casos mais mediáticos estão as notícias sobre contactos relacionados com decisões disciplinares e as críticas à atribuição do Mundial de 2034 à Arábia Saudita, bem como ao posterior acordo de patrocínio com a petrolífera estatal saudita Aramco.

• CONLUIO COM A JUSTIÇA
O presidente da FIFA foi alvo de uma investigação na Suíça devido à realização de reuniões não registadas com o então Procurador-Geral suíço, Michael Lauber, responsável por investigações relacionadas com a própria FIFA. O caso levou a forte polémica e Michael Lauber acabaria por abandonar o cargo.

Se a antiga liderança de Sepp Blatter foi marcada por escândalos relacionados com subornos e enriquecimento ilícito, os críticos de Gianni Infantino defendem que a estratégia mudou de forma, mas não de substância. Na sua perspetiva, a FIFA continua a ser uma organização excessivamente opaca, altamente centralizada e orientada para interesses comerciais, comprometendo os princípios de transparência e boa governação.

Artigo de opinião por:

Diogo Sousa
Diogo Sousa

Nota de edição: Os textos de opinião são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a posição do diretor do site OndeBola, podendo até ser contrários às suas análises e opiniões.


Reportar artigo?


<- Voltar